Ubuntu

Muitas pessoas já me perguntaram por quê eu uso a distribuição Ubuntu Linux. Ou, então, me perguntam qual distribuição devem usar. Para qualquer uma dessas perguntas a resposta será sempre de cunho pessoal. Você deve usar a distribuição que melhor atenda às suas necessidades. E no meu caso não é diferente.

Um breve histórico

Eu comecei a “brincar” com GNU/Linux em meados de 2000 na faculdade. Um amigo meu me apresentou uma “caixona” preta do Conectiva Linux 4. Eu perguntei o que era e ele me disse que era um sistema operacional, “tipo o Windows”, mas o nome era Linux. Aí a próxima pergunta foi quase natural: Ele é melhor que o Windows? A resposta foi: sim!

Nessa época, minha máquina era um simples Cirix 300 Mhz com 64 MB de RAM e um HD de 4.1 GB (maquinona). E eu estava cogitando em migrar para o Windows Me… mas a fama dele tava mal. Eu perguntei onde ele comprou e ele me disse que tinha comprado a partir do site do fabricante, no caso a Conectiva, mas que eu podia levar pra casa para testar e, se quisesse, copiar e usar sem problemas (só não teria direito ao suporte e a documentação). Eu me espantei: Como?! Mas isso não é pirataria?! (Meu Windows 98 era original e veio junto com o computador). Ele me explicou direitinho o que era o movimento do Software Livre e eu adorei a filosofia. Na verdade eu queria um Unix para desktop porque eu tinha participado de um curso em que o professor falou muito bem do Unix… isso atiçou minha curiosidade e eu resolvi ler um livro sobre esse sistema. Fiquei encantado com o que era possível fazer pela linha de comando. Assim, minha procura estava terminada, o Linux era um tipo de “Unix” para desktop e servidores.

Bom, nos primórdios, o Linux não era tão fácil como é hoje. Pra ter a interface gráfica e o mouse funcionando, nesse Conectiva Linux 4, eu gastei uma semana entre comandos e leitura de documetação impressa (que era escassa e o winmodem não funcionava para pesquisar na internet). A placa de som me consumiu um mês inteiro! E o winmodem me venceu! E olha que a luta foi longa. Isso só pra ilustrar quanta dificuldade enfrentávamos na época ao escolher o Linux como sistema operacional e, desde o começo, eu preferi ter um single boot (um só sitema operacional) do que um dual boot com Linux e Windows.

A evolução

De lá para cá, eu passei por muitas e muitas distribuições. Testei diversas, odiei outras tantas e nunca fiquei satisfeito com uma em particular. Instalava uma, achava bom, mas logo sentia falta de uma característica que outra distribuição me prometia. Instalava essa última e em pouco tempo percebia que minhas necessidades também não eram plenamente satisfeitas. Ora isso ora aquilo. De Slackware à Mandrake (hoje Mandriva) eu passei por quase todas as distribuições mais conhecidas. Fedora, Suse, Kurumin, Conectiva, Mandrake, Red Hat, Debian… dentre várias outras menos expressivas.

Até que em 2005 ouvi falar numa distribuição chamada Ubuntu e seu lema era e ainda é: “Linux para seres humanos!” Fiquei com um CD do Ubuntu por quase 6 meses e não tive coragem de tirar meu Fedora 3 da máquina. Eu nem sabia que o dito cujo era “Live CD”. Quando resolvi testar o Warty (4.10), a versão atual já era o Hoary (5.04). Aí baixei essa nova versão e instalei. Foi só então que descobri o quão fácil é o Ubuntu. A começar pela dupla Apt-Get/Synaptic que já me era familiar dos tempos do Conectiva 5. Depois pela quantidade de software disponível nos repositórios que, na época, já passavam dos 18 mil pacotes. E software disponível é fundamental.

Assim, comecei a conhecer o Ubuntu Linux e não parei mais de usá-lo. Depois, e aos poucos, fui percebendo o quão participativa e receptiva é a comunidade Ubuntu no mundo todo. Sempre há pessoas dispostas à ajudá-lo, independentemente de seu nível de conhecimento. A filosofia da distribuição propiciou uma harmonia saudável entre usuários experientes e novatos.

Não é intenção deste post atacar ou falar mal dessa ou aquela distribuição, até porque é disso que o software livre é feito, de liberdade, mas sim ressaltar as virtudes, do meu ponto de vista, do Ubuntu Linux como distribuição para desktop. No fim, cada um deve escolher a sua distribuição.

Pontos positivos

Para mim, o Ubuntu tem vários pontos positivos, a saber:

  • vasta documentação (impressa, on-line, fórum, comunidade, etc);
  • comunidade ativa, receptiva, participativa…;
  • usa o apt-get/synaptic como gerenciador de pacotes;
  • possui repositórios abarrotados de software (atualmente com mais de 23 mil pacotes (incluindo os suportados pela comunidade));
  • possui um ciclo constante de lançamento de novas versões;
  • possui, atualmente, uma grande quantidade de usuários (massa crítica) pelo mundo todo;
  • tem um código de conduta definido e bem claro;
  • permite o envolvimento da comunidade como um todo e em diversas etapas de desenvolvimento da distribuição (launchpad.net, brainstorm.ubuntu.com, etc).
  • atualização/correção rápida de pacotes com bugs ou falha de segurança;
  • processo simples e automático (sob demanda) de instalação de plugins restritos;

Claro que o Ubuntu não é uma distribuição perfeita, mas está buscando e muito a perfeição. Claro que ela não agrada a todos, afinal gosto não se discute. Mas tem agradado a maioria dos usuários domésticos de computadores. Se você usa Slackware e é feliz, parabéns! Se você usa Fedora e está contente, parabéns! Continue usando sua distribuição preferida. Eu vou continuar usando meu Ubuntu Linux do coração!😉

E aproveito este post para pedir que você vote em minha idéia postada no brainstorm.ubuntu.com para ajudar a melhorar o Ubuntu. Obrigado!